RP? Chamemos-lhe antes GB.

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GB são as iniciais de “Gajo Bacano”. Comparar um profissional de relações públicas, que tem como objecto a gestão da comunicação organizacional e todo o manancial de actividades que isso implica, com o gajo bacano que nos garante a entrada nas discotecas, é no mínimo uma afronta à profissão. Por isso mesmo, decidi utilizar a nomenclatura – GB. 

O GB (ex- RP, espero que isto pegue!) é o trunfo da noite para qualquer grupo de amigos. Normalmente, o nome do GB aparece associado aos jantares de aniversário quando o tema do “onde é que vamos a seguir?” surge. Lançada a questão, eis que alguém se lembra do GB (que nunca é convidado para os jantares) e se oferece para mandar um SMS com os nomes para pôr na guest. Ui! A guest!

A guest é tipo a lista de Schindler mas em versão soft. Se não estamos na guest, também não passamos para o outro lado! Ficamos condenados a voltar para casa, sóbrios e solitários. Pesadelo! A guest é tão importante que funciona em contagem decrescente. Assim que começamos a experienciar as primeiras cervejas da noite num qualquer bar de rua, já estamos pressionados pela hora do seu encerramento. É uma luta contra o tempo que nos retira o prazer do momento. E, no final de contas, o que vamos fazer para dentro da discoteca é igual ao que fazemos num bar, ou seja, conversamos e não dançamos.

A maior desilusão da noite é chegar à porta da discoteca X (que há um mês atrás era Y e dois meses antes, Z) às 2h01 quando a guest expirava às 2h. É aí que o GB já não nos serve de nada e os 12€ têm de saltar do bolso. Para compensar, o GB tem sempre a estratégia da bebida à pala. Como dono e senhor do espaço, pede a bebida gratuita a que tem direito. Leva-a descontraidamente até nós, e de forma dissimulada como se estivesse a passar estupefacientes, transfere-a para a nossa mão.

Apesar de ser um mediador de entradas e receber por isso, tenho algum respeito pelo seu trabalho. O GB é o tipo que à sexta e ao sábado à noite vê incrementado o seu número de amigos em mais de 1000%. É tipo o Algarve no Verão. O telemóvel do GB é a grafonola das noites de fim-de-semana. Mensagens, chamadas, notificações…. Ele responde a todas sem excepção. Bem sei que tem de fazer a sua noite, mas acreditem que a miséria que recebe, por vezes não compensa.

Quando o GB está fora, tornamo-nos os melhores amigos dos seguranças. Tratamo-los pelo nome, levantamos o braço, e esperamos que reconheçam a nossa tromba. A probabilidade de sucesso é alta, pois o volume de caras é tanto, que eles ficam baralhados e mandam passar. E é nesse preciso momento, quando apertamos a mão ao segurança, que nos sentimos as estrelas da noite – só porque conhecemos o ursinho da porta. É como passar na faixa da via verde, aquela à direita na entrada do Lux!

Infelizmente, apesar do tom satírico do texto, todos nós temos o nosso amigo GB, aquele que só utilizamos quando nos interessa e que não fazemos questão que faça parte da nossa vida. Se calhar é porque só o conhecemos naquele ambiente de vaidades, decibéis e bebidas brancas. Porque não almoçar um dia com o GB para sedimentar essa amizade? Se estiver a dormir, insistam, não o fazem nas noites de sexta e sábado?

P.S.- Tive quase a ser GB, mas desisti, já não tenho pedalada.

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